arrisco a aposta
o cristo não passa
de uma pro
-posta
vende-se esta casa
com ou sem fantasmas
adverte-se aos futuros moradores
que antigos inquilinos
cultivaram gritos
no fundo do quintal
e a erva reverbera
toda noite,
infernal
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br
aços brutos
ame açam
am
ass
ar
as
as as
das
moças
amar elas
nem mais
nem menos
entre o silêncio
e o vazio:
t(r)ememos

foto: val fernandes
quanto custa?
vale o quanto pesa?
-o preço que se praga
negócio que se faz às cegas-
(onde começa o amor?
onde termina a moeda?)
no teu altar
-meu amor-
meus
(an)
seios
(a)
teus
ateados do fogo
que o teu fervor
nem pro-
meteu
ave, palavra
dura seara
o que terá aurélia
se não ará-la?
colheita amara,
não rosas
e no terceiro dia ela sorriu...
nasceu
em 7 de abril
às 18:24h
com 3,5k
51cm
mãe e filha passam bem
(acontece que a primeira
só tem olhos pro neném...)
a china, raivosa, disse às linhas do seu território:
paradas!
mãos para cima
cabeça para baixo
cara no chão
vocês são china,
fiquem aonde estão!
e uma linha imaginária, lá no fundo, fina e pálida,
disse para a china:
olha, tive uma idéia melhor,
que tal o tibet livre da china
e a china ainda maior?
"A noite avançava e o papo foi caminhando para a conclusão
de que essa seria a nossa última despedida nesta vida."
Yi Sáng
deuses
não dizem ‘adeus’
para se despedirem
não dizem ‘partir’
ao diabo o que dizem
não dizem
deuses não se despedaçam
não entregam os braços
a estes abraços tristes
deuses não
(r)existem
à vi da
a noi te
go li as
a tu do
en go liu
não tem mais um amigo
que o escute:
o poeta banido
das comunidades
do orkut
msn
23:30h
abelardo diz: hello, isa!
e a bela
fecha a janela
e grita...
NAVEGAR É TUDO O QUE A GENTE PRECISA?
INfERNET:
o melhor
lugar
do
MUN
dor
no rosto pobre
rica prótese
(máscara de ouro)
se velásquez visse, diria:
menino, pra onde olha?
e o menino responderia:
moço, o meu olhar é um vôo
ora olho pra onde posso
ora olho pra onde escolho
(foto: val fernandes)
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o mistério
viaja
escrito
se olho
-h-
ouve
(me
dito)
não sei se você notou
talvez não faça falta
mas você deixou seu silêncio cá em casa outro dia
logo que percebi
liguei, mas você não atendeu
mandei um email
escrevi um bilhete e preguei na sua porta
deixei um recado com seu colega de trabalho
tudo inútil
já se passam meses
em que eu insisto, e você
nada
já até pensei que
de repente
você deixou seu silêncio aqui de propósito
ou de presente
na ocasião ele ainda era pequeno
manso
dócil
e faminto
pensei também em ficar com ele
jogar uma bola
passear nas praças aos domingos
mas seu silêncio cresceu rápido
ficou forte
ficou bravo
o seu silêncio come o tempo todo
e já tomou todo o espaço do meu quarto
eu durmo agora no sofá com a tv ligada
e mantenho preso seu silêncio indomável
outro dia fui ver como ele estava
oferecer uma água
um biscoito
um acordo
seu silêncio mordeu meu rosto
por isso escrevo agora
esta desesperada carta
para pedir, por favor,
venha buscar o seu silêncio
levo-o daqui
fique com ele
ou abandone-o numa esquina
(já até posso imaginar seu silêncio feliz
solto pelas ruas
atancando os passantes
fazendo chorar as meninas).
por último
a boneca de pano disse:
sinto muito
e cuspiu para sempre
a pílula falante
costurou a boca
guardou o sentido
do silêncio
numa caixa
preta feito um túmulo
e enterrou no chão
para não causar tumulto
eis a questão:
é sempre o verbo
do início
ao fim
(o que os olhos não vêem
o coração ressente)
escrever: verdade
em linhas-rotas
(deus está entre os nós)